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Afonso Henriques, Rei De Portugal

Nascido:1109 Em:
Falecido:1185 (com a idade de ‎~76‏)Em:
Informação
Eventos
Cronograma

Família próxima

Mafalda, Condessa De Portugal (nasc. Saboia)
A sua esposa
Henrique, Infante De Portugal
O seu filho
Urraca, Infanta De Leão (nasc. Portugal)
A sua filha
Sancho I, Rei De Portugal
O seu filho
Teresa (Matilde), Infanta De Portugal
A sua filha
Sancha, Infanta De Portugal
A sua filha
Joao, Infante De Portugal
O seu filho
<Privado> Portugal
A sua criança
Henrique De Borgonha
O seu pai
Teresa Alfonso De Borgonha (nasc. Castela)
A sua mãe
Urraca Henriques, Infanta De Trava (nasc. Portugal)
A sua irmã
Sancha Henriques, Infanta De Celanova (nasc. Portugal)
A sua irmã
Teresa Henriques, Infanta De Portugal
A sua irmã
Henrique ?
O seu irmão
<Privado> Henriques
O seu irmão ou irmã

Biografia

Sangue de Portugal

Rei de Portugal (1ð)

Primeiro rei de Portugal, filho do conde D. Henri de Bourgogne (Henrique de Borgonha) e de D. Teresa, filha de D. Alfonso VI de Leão. Ele nasceu na cidade de Guimarães em 1111 e morreu a 6 de Dezembro dee 1185. Foi fundador da monarquia portuguesa e da dinastia de Borgonha, que durou 244 anos. Até os 12 anos, esteve confiado aos cuidados do seu aio Egas Moniz. Aos 14, armou-se cavaleiro, por suas próprias mãos, na Sé de Zamora. Por morte de seu pai, tendo Afonso Henriques apenas 3 anos, D. Teresa ficara govemando o condado durante a sua menoridade, e esforçava-se por subtrair os seus Estados à suzerania de Leão, pensamento que estava de acôrdo com as tendências dos barões da região ao sul do rio Minho. D. Fenando Peres, conde de Trava, tomou-se o valido da rainha viúva, com desagrado de outros fidalgos. A disposição dos ânimos, irritados contra o predomínio de Fernando Peres, as instigações dos fidalgos, a exclusão em que o conservavam dos negócios públicos, excitavam Afonso Henriques a colocar-se à frente de um movimento revolucionário. Tinha amigos próprios, e a principal nobreza preferia vê-lo apossar-se do mando, a sofrer que os estranhos, e os partidários destes governassem por intervenção de D. Teresa. Segundo Herculano, as terras de Portugal, em que dominavam ou influíam os partidários de Afonso Henriques, deveriam ter começado a rebelar-se em princípios de 1127. Então, Alfonso VII, rei de Leão, que sucedera a seu pai, D. Alfonso VI, não desistindo do intento de conservar a suzerania sôbre o condado de Portugal, invadiu êste, cercando Guimarães. O jovem príncipe, cuja situação interna era delicada, não se achava em condições de sustentar um conflito externo. Os barões e cavaleiros, cercados em Guimarães pelo rei de Leão, declararam, em nome do moço Afonso, que êle se consideraria, de futuro, vassalo da corôa leonesa. Egas Moniz, poderoso fidalgo, ficou por fiador da promessa. O rei de Leão levantou o cêrco, e retirou-se para a Galiza. Parece que, nos primeiros mêses de 1128, a guerra civil, encetada no ano antecedente, recomeçou. No recontro do campo de S. Mamede, junto de Guimarães, foi desbaratada a facção de D. Teresa, e Afonso Henriques expulsou-a de Portugal, bem como ao conde de Trava. Felizmente para Afonso Henriques, Alfonso VII de Leão via-se a braços com várias dificuldades, o que permitiu a resistência do primeiro às pretensões de domínio do segundo. Entretanto, os muçulmanos operavam razias constantes no território portugalense. O castelo de Leiria fôra destruído (1137), e os cristãos derrotados em Tomar. Estas circunstâncias obrigaram Afonso Henriques a pedir pazes a seu primo. D. Alfonso VII. Acorreu ao Sul, e derrotou os sarracenos (comandados pelo governador de Santarém), numa batalha chamada de Ourique (25 de Julho de 1139), cuja localização e circunstâncias se prestam a discussões, e que os nossos historiógrafos dos séculos XVI e XVII avolumaram imensamente, entretecendo-a de pormenores fantasistas e considerando-a ±a pedra angular da monarquia portuguesa», na frase de Herculano. Era ambição de D. Afonso Henriques a realeza, mas D. Alfonso VII recusava-se a reconhecê-lo como rei. As lutas com êste prosseguiram. Após o recontro de Valdevez, Alfonso VII mandou ao campo inimigo mensageiros que, em nome dêle, pedissem ao arcebispo de Braga que, por sua intervenção, se tratasse da paz. Ajustou-se uma suspenção de armas por alguns anos, até que depois, com mais sossêgo, se pudesse assentar uma paz definitiva e duradoura, o que poucos anos depois le realizou.

 

Em 1143, declarou-se o príncipe tributáire da Santa Sé, com o censo anual de quatro onças de ouro, e reclamou, em troca, a ptotecção pontifícia. O papa acedeu. Apesar disso, Alfonso VII, ao assinar depois, em Zamora, a paz com seu primo, não lhe reconheceu a realeza ; não protestou, porém, contra o título de rei, que êle tomava. O cardial Guido de Vico, provàvelmente como representante do pontífice, foi chamado a assistir à conferência dos dois príncipes, que, segundo parece, resolveram amigàvelmente as controvérsias que os tinham obrigado a demorar a conclusão da paz.

 

D. Afonso pensou, então, em alargar os seus domínios. Cingido ao Norte e a Leste pelo reino de Leão, a Oeste pelo oceano, Portugal só poderia ampliar-se para o Sul, à custa dos muçulmanos, por meio de uma luta intensa. A 15 de Março de 1147, tomou êle Santarém, por surpresa. Pouco depois (16 de Junho de 1147), surgia no Douro uma armada de cruzados germanicos, normandos, flamengos e inglêses. O bispo D. Pedro, que já tinha notícia da vinda daquela frota, recebera, na véspera, uma carta de Afonso Henriques, na qual lhe dizia que, se os cruzados aportassem ali, buscasse concluir com eles um acôrdo, para o servirem contra os sarracenos, dando tôdas as seguranças necessárias, e embarcando com êles para a foz do Tejo. Havia dez dias que o rei (sabendo, pela gente de cinco navios, que, corridos do tempo, tinham arribado préviamente às costas de Portugal, da vinda da frota que entraria no Douro) ajuntava fôrças para marchar sôbre Lisboa, resolvido a conceder aos cruzados quanto pudesse, para se valer do seu auxílio na tomada da cidade, A deliberação que finalmente se tomou foi a de aceitar a proposta. Unida de novo tôda a armada, seguiu a sua rota e subiu pelo Tejo no dia 29, enquanto Afonso Henriques marchava por terra, com as fôrças que pudera congregar. Pôs-se cêrco à cidade, que se rendeu a 23 de Outubro, depois de um duríssimo assédio. O efeito moral da conquista foi enorme. Tôda a região de aquém e de além do Tejo, perto da foz do rio, se submeteu imediatamente. Apesar do quási inacessivel da sua posição, o castelo de Sintra entregou-se antes de ser combatido, e as tropas que guarneciam o de Palmela desampararam-no.

 

Três anos depois, as dissenções entre os mouros davam origem a um pedido de intervenção a Afonso Henriques. Ibne Caci, senhor de Mértola e de Silves, indispôs-se com o rei de Marrocos, o qual encarregou os governadores fiéis de cooperarem nas operações contra o rebelde. lbne Caci, neste apuro, pediu a aliança de Afonso Henriques, e surge aqui a hipótese de que tivesse este organizado um exército (fins de 1150), o qual, unido às fôrças de Ibne Caci, vindas de Silves, teria derrotado os chefes mouros adversários de Ibne Caci, numa batalha a que conviria também, o nome de Ourique.

 

Durante os dezanove anos seguintes, até 1169, houve contínuas invasões na província de Alcácer do Sal. A cidade é que sempre resistia, caindo, por fim, na posse dos portugueses, em 1158 (24 de Junho), depois de sessenta dias de incessantes combates. Beja foi conquistada, em 30 de Novembro de 1162, por um corpo de burgueses ou de vilãos, dirigido por um certo Fernando Gonçalves, num ataque nocturno e repentino. Giraldo Giraldes, chamado o ±Sem Pavor», toma Évora em 1166. O rei. invadindo o Alentejo, apodera-se, pela mesma época, de Moura, Serpa e Alconchel, além do Guadiana, e reedifica o castelo de Coruche, entre Évora e o Tejo.

 

O casamento que Fernando II, rei de Leão, celebrara com D. Urraca, filha do rei de Portugal (1165), pensando assegurar assim a aliança de Afonso Henriques, fôra insuficiente para alcançar esse objectivo. Os laços de família não haviam servido para criar um afecto mútuo nos ânimos do sôgro e do genro, e estabelecer uma paz duradoura entre os dois Estados. Quasi nunca deixara, pelo contrário, de haver entre êles discórdia, depois daquele casamento. Fôsse qual fôsse o verdadeiro motivo, o certo é que veio a rebentar uma guerra violenta entre os dois príncipes. Afonso Henriques preparou uma expedição contra Ciudad-Rodrigo, e ordenou que seu filho Sancho acompanhasse o exército enviado àquela conquista. Tinham os portugueses avançado com rapidez e já se achavam próximos da cidade, quando se encontraram com os leoneses. Travado o combate, num lugar chamado Arganal, viu-se Sancho obrigado a fugir. Afonso Henriques, irritado com o insucesso, invadiu a Galiza, assenhoreou-se da cidade de Tuy, do distrito de Toronho, até as margens do Lerez, do território de Limia, e mandou edificar um novo castelo, o de Cedofeita. Feito isso, retrocedeu para Portugal, e, na primavera de 1169, avançou para a conquista de Badajoz, que ainda estava nas mãos dos muçulmanos, mas cuja conquista devia acabar por pertencer a Femando II. Os sarracenos retiraram para a Kassba, depois de ocupada pelos portugueses grande parte da cidade, e sustentavam ali uma defesa que parecia inútil, quando as tropas de Leão, capitaneadas por D. Fernando II, vieram animar as suas esperanças. Afonso Henriques achou-se ao mesmo tempo, sitiador e sitiado, e, ao pretender retirar-se da cidade, quebrou uma perna no ferrôlho com que se fechava uma das portas. Os que o seguiam transportaram-no para um sítio próximo, onde perseguido pela cavalaria do genro, ficou prisioneiro (1169). D. Fernando tinha fama de homem de carácter generosíssimo, e perfeitamente demonstrou, neste lance, que a merecia. Confessando que fôra desleal a Deus e ao seu genro, Afonso Henriques oferecia entregar a êste, sem reserva, os próprios Estados, a trôco da liberdade. ±restitue-me o que me tirastes - respondeu D. Fernando - e guarda o teu reino». Depois de dois mêses de cativeiro, D. Afonso I voltou aos seus Estados, mas irremediàvelmente impossibilitado para a sua vida militar.

 

Em 1171, Abu Yacub passava o estreiro de Gibraltar e vinha à Peninsula avivar a guerra contra os cristãos. Sem encontrar séria resistência, os seus generais atravessaram o Alentejo e vieram pôr cerco a Santarém, onde se achava Afonso Henriques. D. Fernando II correu em auxílio do sogro. Os sarracenos, colocados entre as fôrças de Portugal e as de Leão, entenderam conveniente retirar-se, e assim Santarém se salvou. Pode dizer-se que o reinado de D. Afonso Henriques, no que êle tem de pròpriamente histórico, acabou com os acontecimentos que o inibiram do exercício das armas.

 

O título de rei só lhe foi dado pela Santa Sé en 1179, aparecendo pela primeira vez na bula Relatum est, de 13 de Abril daquele ano, sendo pontífice Alexandre III. Afonso Henriques aumentara, de quatro onças de ouro para dois marcos, o censo anual que oferecera em 1144. Um presente de mil morabitinos (moeda de ouro, que se chamava também maravadi), que o rei de Portugal enviou ao Papa, passados dois anos, serviu de paga, afora o aumento do censo, pela concessão tanto tempo solicitada, sem resultado.

 

Entretanto, a guerra dos portugueses contra os sarracenos prosseguia. Mas estes encontravam, no infante D. Sancho, um duro adversário.

 

No meado de Maio de 1184. Yacub atravessou de novo o estreito com um poderoso exército, e veio pôr cêrco a Santarém (fins de Junho dêsse ano). O desacordo das narrativas que nos chegaram não nos permite uma idéia clara do que sucedeu. O certo é que o exército sarraceno, a certa altura, debandou, e que Yacub, um mês depois de iniciado o cêrco, faleceu em Sevilha, dos ferimentos recebidos (24 de Julho de 1184). ±No longo crepúsculo de velhice aborrida e enfêrma - diz Herculano - o coração do valente Afonso I ainda pôde dilatar-se, pela última vez, nos contentamentos de uma grande vitória. A sua boa espada repousava havia muito na bainha, junto do seu leito de dor, mas consolá-lo-ia a certeza de que deixava um filho digno dêle no esfôrço e uma nação cheia de energia e de esperança, a qual lhe devia, quási inteiramente, a sua vida política». Veio, enfim. a falecer a 6 de Dezembro de 1185. Ordenara que o enterrassem no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Mais tarde, D. Manuel mandou-lhe levantar um rico mausoléu, em que ainda hoje se guardam os seus ossos.

 

D. Afonso Henriques fundou e dotou os mosteiros de Santa Cruz, de Coimbra, Santa Maria, de Alcobaça. S. João Baptista de Tarouca, e S. Vicente de Fora, de Lisboa, onde, por sua ordem, foram depositadas as relíquias daquele santo, transportadas do Algarve em 1173. Fundou duas ordens militares : a da Ala e a de S. Bento de Aviz (1161). Introduziu em Portugal os cavaleiros de Rodes, e começou a ponte de Coimbra.
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